Retrovisor com licença poética
Valéria Oliveira e Marize Castro

Esplendor
Desde que nasci, sinto-me assim: um país seqüestrado.
Sustentada por esquálidas paixões.
Incendiada.
Minhas vestes de mulher selvagem foram queimadas
Minha língua cortada.
Multiplicada.
Dividida.
Transformada em veludo.
Álacre demais para os mortos vizinhos.
Doce demais para corações à deriva.
Deitei-me no Pátio da Poesia e esperei.
O amor escutou o meu chamado.
Veio em carne viva, ergueu copos e taças.
Caímos juntos
Crianças aladas nos levantaram.
Era o Esplendor.
Nada mais.
Marize Castro
Escrito por khrystal às 20h51
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